sexta-feira, dezembro 6

Eu bem que tentei resistir mas é impossível. Se não falo arrebento, e eu espalhado por todo o lado, além de sujar as carpetes, não é muito agradável de ver e demora a limpar, já para não falar do cheiro.
Não sou hipócrita, mas como não sou menos “cas outras” lá vou falar da morte do Nelson Mandela, embora me importe mais com a vida e o legado dele.

Acho repulsivo a quantidade de pessoas “ilustres” que falam hoje do falecido, como se tivessem sido íntimos dele, (tou-me a lembrar dos inúmeros amigos de Amália que apareceram depois da sua morte), e que o consideram um exemplo.
Vamos lá a ver, exemplo para quem?
Para os actuais governantes mundiais não deve ser, a avaliar pelo modo como gerem o mundo. Se querem homenagear o vulto, não seria melhor seguir-lhe o exemplo que ele deu ao mundo?
Como nunca gostei de hipócritas, acho nauseabunda esta carpideira histérica.

E como nunca fui lírico, cabe-me lembrar que Mandela sendo um dos maiores homens que a humanidade já conheceu, não foi isento de falhas, como o seu comportamento com o nosso governo, injustamente, quando expulsou o nosso embaixador na África do Sul e foi indelicado com o presidente Jorge Sampaio.

Continuo a admirar o homem e o estadista, e sinto com mágoa a sua morte, mas digo-vos que ele foi mais sábio que a maioria de nós, soube sarar as feridas e ter uma coragem que dificilmente alguém tem, foi o homem certo na altura certa.
E hoje ao ver uma sul-africana negra dizer “sempre pensei que Deus era só para os brancos, e hoje descobri que Deus também me ama”, está tudo dito.

E chorei de emoção e felicidade.

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