terça-feira, novembro 27

O cérebro pesa em média 1,5 kilos, por isso há tanta gente magra.
Os sentimentos estão no centro de todas as nossas decisões na vida, no entanto não há coisa que mais dissimulemos, com o medo de ficarmos vulneráveis.
Como podemos esperar que os outros nos entendam se escondemos o essencial?
Se estamos magoados com uma atitude alheia, porque razão não o dizemos em vez de amuarmos ou invertamos uma desculpa? O outro não é obrigado a saber o que se passa na nossa cabeça. Pode ser burro e termos de lhe explicar, e até podemos ter a surpresa de ele nos explicar de que estávamos errados.

Claro que por vezes saber esperar para fazer certas pessoas compreender as nossas atitudes é o melhor. Mas alimentar raivas e sentimentos de vingança, mina o nosso coração, e ocupa-o de ódio que não nos faz bem, e por vezes faz ricochete e atinge inocentes.
No caso das relações, quando acabam a maioria das pessoas tentam arranjar logo algum substituto, custe o que custar e no mais curto espaço de tempo possível, e não fazem o devido “luto”, que é natural e saudável, não esperam por melhores dias e que a ferida cicatrize e não deixe marca.

Eu sei que a solidão dói, mas bolas, não podemos perder a razão e o controlo. Saber esperar é uma virtude. Tirando a morte, o tempo tudo cura. E encontrar força para sobreviver é o que nos faz uns homens.
Os heróis são os que se mantêm de pé apesar do coração desfeito, das angústias, do medo. E depois para que servem os amigos se não para nos ajudar a vencer as dores?
Nós somos obrigados a sobreviver e a seguir o nosso caminho, e a ficarmos mais fortes.

É bom podermos contar com os amigos, mas mais importante é termos a força de encontrarmos em nós recursos para sobreviver.

segunda-feira, novembro 26


Por mais experiência e inteligência que tenhamos, ninguém pode imaginar ou muito menos sentir a frustração e a dor alheia.
A vida traz-nos diferentes provações, umas maiores do que outras, algumas desumanas mesmo, já as tive em doses generosas…
Os heróis são feitos de pessoas que sobrevivem a elas, e não desistem de fazer conquistas e de superar dificuldades.
Manter viva a esperança é um desses actos de coragem, que devia deixar envergonhados aqueles que chateiam os outros com coisas mesquinhas. Existem dores que o tempo não cura nem apaga. O meu baú tem uma boa colecção.

Geralmente apodera-se de nós um sentido de injustiça, revolta, sentimentos de culpa, uma aversão e/ou medo dos afectos, e no pior dos casos uma queda vertiginosa em vícios que não são saudáveis ao nosso corpo e mente.
Não sendo nenhum herói, para melhor ou pior acabei por sobreviver ao caos da minha infância, á dor e á memória.
Claro que tudo o que se passou mudou a minha vida para sempre, mas a atitude que tive parente o que me fizeram passar, não isenta de dor, fez a diferença entre ser um ser humano em pleno, ou um ser afundado em culpas e tristezas. Sem pressas, com muita compreensão dos que me amaram e amam, lá fui tendo esperança na humanidade, fui acreditando de que poderia fazer a diferença, a acreditar nas minhas capacidades e na vida.

Sofrer fez-me amar a vida, fez-me focar nas minhas escolhas, avaliar as minhas opções, a saber distinguir o bem do mal, e a optar pelo bem, a ter a lucidez do que estava certo para ser feliz.
Estar atento ao que sentimos, e saber interpretar esses sentimentos, é o mais seguro investimento que podemos fazer em nós próprios.
Tudo se deve encaixar na nossa vida sem nos sentirmos desconfortáveis, claro que isso não depende só de nós, mas também de nós. Mesmo que se tratem de escolhas difíceis, no fim tudo deve encaixar. 

segunda-feira, novembro 19

Acho que sou um ser ético. E o que é isso perguntam-me!
Ser ético é, para mim (corrijam-me se estou errado) coincidir cada gesto, cada palavra, apostar no que dizemos, ter os valores fundamentais e morais á verdade humana, comportarmo-nos e defendermos os valores humanitários, que é ser solidário, respeitar a liberdade e a democracia, não ser moralista, apoiar os fracos, lutar contra as injustiças.
E isto marca a diferença, e termos a consciência de que podemos fazer a diferença torna-nos poderosos, faz-nos especiais.
E é isso que faz os momentos mais especiais da nossa vida, quando nos superamos, e especialmente quando ninguém aposta em nós.


Há pessoas (eu chamo de criaturas) que não tem a mais pálida noção do sofrimento que provocam aos outros, porque são tão egoístas e comodistas, são criaturas perversas, mas o que me choca é a aceitação dos actos destes seres.
Existem criaturas que só devem fazer sexo com o seu próprio espelho.
Eu explico…
Acham-se tão belos, e fiam-se tanto nos corpinhos danone que só vem a perfeição neles, e a sua beleza como superior.
Confesso que os corpinhos danone raramente fazem parte do meu menu, primeiro por não ser um, e depois porque os tive, e já tive um (fiz remo), e eles raramente não me deram amargos de boca.
Quando temos um nosso, precisamos de um espelho para acreditarmos que o temos, e ansiamos pela aceitação dos outros porque o temos. Se temos um de outro, vivemos num medo de que se vá e nos troque por um melhor.
O espelho é um grande mestre se tivermos olhos para vermos a realidade que somos. Também eu precisei dele para mudar para melhor. Só quem já me conheceu antes pode saber o quando mudei fisicamente num espaço tão curto de tempo, e a diferença física a que me sujeitei.
Acreditem que quando tinha um corpo de remador não me via como um homem bonito, continuo a não me ver como tal, mas já não fico triste ao ver-me ao espelho.

Para mim o meu espelho não me mostra o quanto bonito eu sou, mas o quanto feio eu não sou.

quinta-feira, novembro 15


Toda a gente diz para sermos nós próprios. Mas estará o mundo preparado para eu ser quem sou?
Não sou nada egoísta, mas como conciliar o sermos sempre verdadeiros com as exigências que a vida e os outros nos colocam?
Não é fácil e implica um empenho por vezes sobre-humano do que há de melhor em nós, e é uma aposta no bem que podemos fazer a nós e aos outros. Mas essencial ao nosso desenvolvimento como seres humanos.

Ter a noção dos valores que devemos seguir, provocam por vezes conflitos. Se tivermos a consciência disso e aceitar-mos que a nossa realidade pode ser única e não coincidente com outras, pode ser uma forma de encontrarmos o equilíbrio (precário sempre).  
Defendermos o nosso espaço não é mau, bem pelo contrário. É uma forma natural de defesa, e ajuda-nos a ter a noção do que é essencial na nossa vida.
Dizer não, não é uma forma de egoísmo, é sinal de maturidade e de liberdade, pode ajudar o outro e nós próprios.

Sermos nós próprios é não viver na mentira, consoante a nossa consciência. Sermos diferentes não nos afasta automaticamente dos outros, a diferença é boa.
Ter sucesso sempre não é uma forma de crescimento, as derrotas ensinam-nos muito ou tanto como as vitórias, preparam-nos para elas.
Ser homem é ser digno tanto nas vitórias como nas derrotas, e por as expectativas demasiado altas só nos trazem frustração, e isso só nos torna vulneráveis.
Ter ambição é saudável e natural, mas temos de ser realistas, e não existem sucessos permanentes. O sucesso é ter noção disso.


A solidão não traz sucesso. E a sociedade de hoje na sua ânsia de sucesso fácil e rápido cria só solidão.
Aprender a abdicar daqueles e do que não nos convém, é uma forma de sucesso, talvez a única.
Exercer fascínio sobre os outros nunca foi o meu objectivo, para mim o sucesso é manter-me fiel ao que acredito, não ceder a tudo que vai contra os meus princípios, e apostar no que me faz feliz.

terça-feira, novembro 13


Não tive uma vida banal, e foi uma escolha minha.
Nunca fui passivo (não falo de sexo LOL), e sempre tive o discernimento de saber quando e como aceitar aquilo que me acontece (o que nem sempre é fácil). Confesso que há coisas que não entendo e outras que não percebo nada.

Aceitar que as coisas não são sempre como nós queremos, e que a felicidade não é eterna, evita tanto sofrimento.
Aceitar injustiças nunca me foi fácil, e com a idade penso que vai piorar…
Orientar-me em tempos de sofrimento, é-me difícil, mas tem de ser. Tem mesmo, o sol não pára por mim, nem por ninguém.

Sei o que é perder alguém, perdi meu pai quando estava a começar a perceber quem ele era. É uma sensação de que o mundo é injusto. A única coisa que não lhe perdoou é a de não ter amado os filhos, de os ter protegido da tresloucada da mãe. Acredito que não os desejou, mas fê-los, não tive a culpa de nascer, não o pedi…
Sucumbirmos á dor, numa turbulência de sentimentos é comum, demasiado comum. Podia ter sido esse o meu caminho, mas não foi, eu não quis.
Aceitei viver, e sempre aceitei que o bom e o mau há-de vir, em fases e doses, e que depende de mim dosear a ração.
Aceito o melhor e o pior, sendo que não sou indiferente, nem passivo, tenha eu o meu coração no sitio certo, e nos meus olhos o alcance para ver, e a tranquilidade para aceitar.  

domingo, novembro 11


Somos tão fatalistas, a tristeza é o nosso lema. Achamos que tudo pode correr mal (e geralmente corre), e quando corre bem desconfiamos. E não vemos as possibilidades de sermos felizes. Temos um país tão lindo e com tanto sol, porque raio somos tão pessimistas?
Temos de olhar para as coisas, como se fosse sempre a primeira vez, e ver as oportunidades. Em vez de sermos macambúzios, abramos as janelas e deixemos o sol entrar.

Todos os meus amigos são únicos e irrepetíveis, e todos me fazem falta, por vários motivos. Uma das coisas que aprendi na vida foi de que as boas pessoas não nascem debaixo das pedras, e que cada gesto pode desencadear consequências. Se tenho os amigos que tenho, são porque eles viram em mim as qualidades que me permite estar no coração deles.
De forma consciente ou inconsciente, sei que já mudei pessoas, espero que para melhor. É uma grande responsabilidade que assumi conscientemente, não que não sinta medo, mas bolas, o medo nunca me fez recuar (ok, algumas vezes).  

segunda-feira, novembro 5


Estou com um problema.
Ando numa luta para me manter inteligente.
Lutar contra a estupidez é difícil, requer força física e mental. Requer esforço.
E como vivo no país do desenrasca torna tido mais difícil.
O Tuga gosta de passar pela chuva sem se molhar.

Ser flexível é bom, mas esta mania do improviso, do fazer á ultima hora, não!
Gostamos do desenrascando e da borla.
Já dizia o Alexandre O’Neil que “viver é vender a lama ao diabo”. Eu não sei viver…
E como sou estúpido perco-me em coisas inteligentes. A vida está feita para os idiotas, que desaconselho a pensar. E acho bem que eles nem pensem.
Já perdi a inocência há muito tempo, e só me arrependo de não ter vivido mais, de ter acreditado em muito aldrabão, de não ter pecado mais, mas é escusado, não consigo voltar atrás.

Vou a caminho dos 50, mas isso não me assusta, para quem esteve para morrer aos 37 tudo o resto é bónus.
Não tenho medo de envelhecer, tenho mais medo do ridículo.
Sabendo que o mundo gay não trata bem os “velhos”, não vivo com o intuito de ser eternamente jovem.
Não sou eu que vou negar as vantagens da juventude, e as desvantagens da velhice. A idade é madrasta.
Conheço bem Lisboa gay e as suas malícias, as suas mediocridades, as lutas pelas mínimas benesses, os mediáticos, brigando como crianças por uma boneca (mais pelos bonecos), as falsas idolatrias, as vedetas, os beicinhos, os auto-convencidos  e a sua dita superioridade.

Podem chamar cínico, mas sou lúcido. Esta gente irrita-me, pela falta de modéstia. È irónico como me vêem agora depois de saberem que estou nos Dark Horses.
Não preciso de certificados exteriores para saber quem sou. Continuo a ser o que sempre fui, um gajo porreiro.
Qualquer gajo de meia-tijela pode botar discursos lindos.
Mas a grandeza está nas atitudes, isso foi o que aprendi com a Natália Correia, com a Beatriz Costa e com a Amália Rodrigues.
A maior homenagem que posso dar a essas grandes criaturas que fizeram o favor de me darem atenção, que marcaram a minha vida para sempre. É seguir-lhes os ensinamentos que me deram. Essas mulheres acolheram-me na vida delas de braços abertos, sem me perguntarem donde vinha e ao que vinha, só tendo para lhes dar o que dou sempre aos que amo, o que de melhor eu sou e tenho, os meus afectos e a minha inteligência.

Este mundo LGBT é um pequeno inferno e um pequeno paraíso.
Tenho encontrado gente maravilhosa ano mundo da noite gay, e neste assunto de pessoas o melhor é amá-las. Mas há gente tão execrável.
Sei que estou a caminho para o Outono da minha vida, Mas o Outono tem cores tão bonitas, e é o tempo do vinho novo, e dos frutos secos (que adoro). Do laranja, vermelho e multipos tons de castanho.
Os anos são insensíveis e passam a correr. E a gratidão é um dos sentimentos que passaram de moda.

Eu quero as minhas rugas, tenho direito a elas, as que merecem o meu rosto, quero o meu cabelo manchado de branco como a neve.
Se penso na morte? Claro que sim, é uma inevitabilidade, mas penso mais em viver, no prazer de viver.
Nunca fui um homem bonito, mas sempre fui um de coração grande!

domingo, novembro 4


Não há amizades sem mácula.
Quando falo dos meus amigos é como se falasse de obras de arte, valiosas e sem preço.
E pagam-se com amizade.
Mas existe tanta hipocrisia, a amizade está gasta, demasiado gasta. Demasiadas imitações de amigos.
Já passaram tantos pela minha vida, e vão continuar a passar.

A gente pensa que com a idade aprende a conhecer as pessoas, a adivinhar-lhes o comportamento, o temperamento. Puro engano. Tanto na bondade como na maldade as pessoas não param de me surpreender.
Aprendemos a defendermos nos melhor, mas é tudo o que é possível. A idade só acrescenta o peso dos enganos, e a perda da inocência. Passamos a sofrer sem ter vergonha disso.
Perder um amigo para mim é terrível, como se um pedacinho do meu coração se desprende-se, e dói.
E nunca estou preparado para essa dor, Já chorei muito a perda de amigos, e desconfio que esse rio não vai secar.
 Mas ganho outros que não preenchendo o lugar dos que foram, vão permitindo que o meu coração não se desfaça.
Pensamos que a idade nos ensina, mas nunca nos prepara para a perda de alguém que amamos.
O amor nunca é ridículo. Este tempo tem tendência a esquecer as pessoas, os sentimentos, o amor, os afectos. Certas pessoas vivem sem saber o real valor de uma amizade, embora façam parecer que sim.

Não apreciei lá muito a minha infância, não tive lá muitos motivos para rir, nem sequer para sorrir, mas não guardei as frustrações para adulto. Apanhava porrada que me fartava ao ponto de ir para ao hospital de cabeça partida, claro que o meu irmão era o bode expiatório, nunca a minha mãe. Eu não levava com o cinto, levava com o dito e com o que estivesse á mão de semear, até com o pau que tinha um prego na ponta, para puxar a roupa da corda mais afastada da janela.
Quantas inutilidades a que damos importância, se as coisas podem ser bem feitas, porque insistem na vulgaridade? Por desconhecimento? Por desinteresse?

Já não tenho 18 anos, nem já perco a cabeça com a beleza física. Tenho muitas incertezas, mas de que não existe amor eterno tenho a certeza. E a culpa deve ser minha.
Para muita gente a minha forma física nunca corresponde ás suas expectativas. E a culpa deve ser minha.
Não quero vender a minha alma e muito menos o corpo ao diabo.
Nunca se devem fazer contratos se não se quer suportar as suas inconveniências. A permissividade excessiva afastam-nos dos sentimentos, dos afectos. E depois  temos um medo da decadência, tornamos-nos a besta.
Sabem do que estou a falar.
Se não sabem, tenho pena…

quinta-feira, novembro 1


As coisas já não são o que eram, nem podem ser…
Há um grande passatempo dos tugas que é dizer mal, de quase tudo e todos.
E o pior é que a maioria das vezes é injustificado, gratuito e injusto.
A crítica inteligente não é para todos, e o pior é que nem sequer o sabem fazer, dizer mal não é criticar, é só deitar abaixo.

Ter cabeças que sabem pensar é um luxo que cada vez menos temos.
O problema dos tugas é que são permanente insatisfeitos consigo mesmos, por vezes até apetece emigrar, demasiadas vezes até…
Os ídolos dos tugas são e exemplo daqueles que os idolatram. Ronaldo e Mourinho são o exemplo chapado disso. Arrogantes quando ganham e malcriados e “críticos” em relação a tudo e todos quando perdem, ou melhor a dizerem mal. E desorientam-se.
Para eles o mundo é a preto e branco, um mundo demasiado sóbrio e de bom gosto, em que eles é que estão certos, um mundo de todos contra eles.
Não tenho paciência para esta gente de ego insuflado com as suas manias, obsessões e devoções. E muito menos para os que os veneram.
Esta gente deslumbra-se com a ostentação destes novos-ricos, vindos muitas vezes da extrema pobreza, não a monetária mas a da inteligência e especialmente da emocional. E neste mundo não há espelhos, pelo menos os de alma.

Nunca me considerei superior a ninguém, sou o que sou, e sou do que melhor eu sou.
Eu vim de uma família destruturada, com uma inteligência emocional mais do que estragada, era quase nula. No caso de minha mãe a violência era de uma crueldade, brutalidade e insensibilidade ao ponto de desejar mal a crianças ainda não nascidas, ou mesmo com os animais, as pobres aves que passarem pela mão dela sofreram muitas até á morte a crueldade dela. Aos filhos foi o mesmo, coisas que nem hoje ainda consigo pensar com clareza, e o muito que a minha doença apagou da minha memória, felizmente. O que ela me fez a mim especialmente, por ser “A Menina Joaninha”, muitas coisas já fiz por esquecer, as outras perderam-se com a doença, outras são tão duras e ainda provocam um certo desconforto em mim.

Nunca vivi em mundos de faz-de-conta, claro que sou dados a sonhos e fantasias, quem não o é? Mas sei que o são…
Hoje as pessoas são demasiado bronzeadas, ruidosas, velhas, enfeitadas, convencidas.
Sou daquela raça portuguesa que é educada, trabalhadora, solidária, determinada e invisível.